Galopante
Ouvi o canto da nambu ecoar na terra
Taquari no pé da serra nasce como gente nu.
Soltei meu verso no galope dessa rima
Pra subir de serra acima
E descansar no mulungu.
De cima da serra avistei minha cidade
Cheia de felicidade como a flor do matury.
Saí correndo pela chã da ribanceira
Pra ver se dessa carreira eu visitava o Sabugi.
Bebi na literatura na fonte da travessia
Tomei sangue de poeta pra regar minha poesia.
Afinei minha viola pelo canto do sabiá
Pra poder assim cantar tudo que aprendi aqui
Ó mãe eu vou pra lá,
Ó mãe me deixa ir,
Ó mãe eu vou morar em São João do Sabugi.
Ó mãe, oh! Que saudade, daqui eu tenho dó.
Ó mãe eu volto logo pro sertão de Caicó.
Ouvi cantar a seriema no serrado da caatinga
Bebi água da cacimba onde canta a juriti.
Saí por dentro sem perder de tino a veia
Andei mais de légua e meia pra chegar no Sabugi.
Asa branca cantou no ramo da catingueira
Choveu lá na cabeceira, trovejou do lado sul.
Ouvi o ronco do trovão preparou-se a natureza
Foi um sinal de beleza da flor do mandacaru.
Bem-te-vi cantou alegre quando me viu na estrada
Já bem perto da chegada jaçanã cantou também.
Fui recebido entre cantos e sonatas
Nos juremás dessas matas da terra que eu quero bem.
Sabiá na oiticica não cantou fora de hora
Eu puxei minha viola no refrão eu respondi.
Estou chegando eu sou filho dessa terra
Que fica no pé da serra de São João do Sabugi.
*
Galopante é composição de Geraldo Anízio, que reside em Roraima.
Logo abaixo está o vídeo em homenagem a São João do Sabugi com a música Galopante - Letra de Geraldo Anízio e música de Ozi dos Palmares.
Bem-vindos à viagem pela terra sabugiense.
Anna Jailma - jornalista e blogueira