segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Artistas da Terra II - Zé Marconi


Zé Marconi e sua mãe, a matriarca Eliene Medeiros
O sabugiense José Marconi de Medeiros, conhecido como Zé Marconi, gravou o CD Forró Cheiro da Terra, com xote, baião e marcha junina, de sua autoria, registradas na Escola de Música da UFRJ. Suas composições falam na vida e nos sonhos do sertanejo e seu CD vem ganhando espaço nas rádios de Natal, Caicó e Patos, PB. “O meu trabalho é autoral, venho compondo ao longo do tempo e chegou a hora de registrar e gravar, para não se perder nas quebradas do sertão. De todas as minhas músicas, a que mais mexe comigo é “Caboclo de Sorte” que conta a história de um sertanejo que sai do trabalho braçal e chega ao sucesso através da música.Outra que gosto muito, é uma marchinha junina, “Festa de São João”, que retrata a festa do São João Padroeiro, onde se “mistura” o profano e o sagrado”, diz o cantor e compositor.
Zé Marconi é admirador e observador de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Pinto do Acordeom, Jorge de Altinho, Dominguinhos, Nando Cordel, Trio Nordestino, Elino Julião e dos conterrâneos, Zé Domingos, Zé de Jada, e Zé Romão. Seu CD tem semelhanças com o forró autêntico destes artistas.
Ao relembrar sua infância, ele destaca que já nasceu ouvindo a Filarmônica Honório Maciel, nas alvoradas da festa do padroeiro, nas retretas e cresceu interessado pela música. Aprendeu os primeiros solfejos com o maestro Manoel Felipe Nery e chegou a tocar em sax alto, mas foi o violão tocado por Max Medeiros e José Domingos, que o encantou, ainda na década de 70. Em dois carnavais ele teve orquestra formada e participou de grupo musical em São João do Sabugi. . “São João do Sabugi é a primeira e mais importante escola da minha vida, onde aprendi - entre rezas e brincadeiras, trabalho e estudo - os princípios básicos e os valores necessários para conviver bem em qualquer ambiente do planeta. Eu saí de São João, mas São João não saiu de mim”, diz ele.
Estudando em Patos, PB, ele participou do Unisamba, formado por universitários da Fundação Francisco Mascarenhas, de Patos, PB, e ainda integrou três trios de forró, formando quartetos de violão. Ao retornar para seu Estado, voltou a fazer faculdade, sempre levando o violão para animar as apresentações de seminários.
Casado com Adriana Quinino, pai de três filhos, Zé Marconi, reside em Natal, onde é funcionário do Banco do Brasil desde 1981. Com o violão ao lado, costuma apresentar seu trabalho em confraternizações da família e dos colegas de trabalho. “Fiz a caminhada ao contrário, porque o normal é o cantor começar cantando em shows, para depois buscar gravar CD”, comenta.Sobre a inspiração para suas composições, ele comenta que surgem do sertão e do acaso: “vem das coisas do sertão, do cheiro da terra, da vida do sertanejo. Outro dia eu estava em São João do Sabugi, e um amigo disse-me: “desde menino você tem mania de assobiar”. Não deu outra, eu respondi: “quem me conhece só me encontra assobiando/ sempre expressando minha alegria de viver/ a vida é bela só se vive uma vez / é um dom de Deus, temos que agradecer”, conclui Zé Marconi.



Anna Jailma - jornalista

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