terça-feira, 21 de agosto de 2007

Lembrança de Outrora II - Um anjo passou no Jardim...


Com idade de 04 à 06 anos, eu estudava o Jardim de Infância, na Escola Estadual Senador José Bernardo. Minha mãe era professora naquela escola e como forma de me manter sob seus cuidados, me colocou como “ouvinte” no Jardim de Infância. Naquela época, 1979, a matrícula ocorria somente aos 6 anos de idade, para no ano seguinte, aos 7 anos, ingressar na 1ª série do primário; hoje, 1º ano do Ensino Fundamental.
Lembro-me que eram meus colegas César Brito, João Júnior ( de João Leandro), Maxwell (de Werneck), Cleane (de João Cazé), e Mônica (de Ana Zélia). Acho que Danielle Cavalcanti e Patrícia Fernandes também eram desta turma mas não tenho certeza...É muito nítido na minha lembrança, a presença de Mônica. Ela sempre usava cachos nos cabelos, as vezes enlaçados com laço de fita cor-de-rosa e tinha as faces muito rosadas. Nós daquela turma sabíamos que o “recreio” estava próximo, quando avistávamos dona Palmira, avó materna de Mônica, chegando no “Grupo”, com uma mamadeira de leite com toddy, ou de vitamina, para Mônica.
Quando o sino tocava, era hora de brincar, mas antes íamos até a sala dos professores, que na época era vizinha ao nosso Jardim da Infância. Lá minha mãe também me dava o lanche e a gente brincava subindo e descendo uns pequenos degraus, que iam até uma laranjeira. Depois íamos para o “recreio” até o retorno à sala-de-aula. Mônica era esperta, não costumava chorar nem tinha briguinhas com os colegas, era alegre e se dava bem com todo mundo. Na maioria das vezes era ela que dava as idéias para as brincadeiras: brincar de roda, de esconde-esconde, de pintar, de subir e descer a tal escada do pé de laranja...
Mas de repente, Mônica deixou de freqüentar as aulas e dona Ivete, professora, nos disse que ela estava doente da garganta. Eu que as vezes tinha problema de garganta, pensei que logo ela voltaria às aulas. Os dias passaram e, na sala dos professores, ouvi comentarem baixinho que ela estava muito doente...Alguns dias depois, lá estávamos, todos da turminha, vestidos com o uniforme do Jardim da Infância, em fila, no cortejo fúnebre de Mônica. Na minha vida, aquela foi a primeira despedida eterna, foi a primeira vez que vi a “viagem sem volta”, de perto. A partida de Mônica continua na minha memória, como se fosse ontem, e creio que meus colegas da época também têm esta história na lembrança.
Mônica era um anjo que veio passar uns dias naquele Jardim da Infância conosco. Depois, Deus sentiu sua falta na corte celeste, a chamou, e ela foi...
Anna Jailma - jornalista

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