segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Para Painho - João Ursulino de Assis



Meu pai João Ursulino de Assis, partiu em 1998, perto da minha formatura em Jornalismo. Lembro-me como se fosse ontem, quando me despedi dele no Hospital São Lucas em Natal, RN, porque estava indo para Campina Grande, PB, fazer provas finais do semestre, na faculdade. Segundo o médico, Dr. Miguel, ele receberia alta na manhã seguinte. “Daqui vou direto pra casa, minha filha. Quando terminar suas provas, vá pra lá e a gente se encontra em São João...” dizia painho, na minha saída. Era uma noite fria e de chuva forte em Natal. No ônibus meu coração sentia um aperto e quando cheguei em Campina, às 23h, liguei para a casa de meu tio Bastinho. O telefone só dava ocupado e fui dormir...Acordei na madrugada com minha prima Catherine no telefone, dizendo: “mas eu não sei como vou dizer pra ela...”. Foi o fim! Até hoje não consegui encontrar uma explicação para sua partida, desisti de achar os porquês e cheguei a conclusão que a morte vem sem seguir caminhos da lógica.
Painho era um homem do campo, que gostava de política. Foi vereador em São João do Sabugi em vários mandatos, inclusive, quando os vereadores nem recebiam salário. Gostava de ouvir programas da Rádio Rural e gostava de ler; ficava com ar sonhador quando falava da época de estudante, embora só tivesse estudado até a 3º série primária, no antigo Ginásio Diocesano Seridoense, de Caicó, o GDS. As recordações da Mina Quixeré, ele transformava em contos de fada, quando me falava. O Quixeré, em especial o bangalô, nossa casa no sítio, era um porto seguro na vida dele. Tinha personalidade forte, uma conversa calma e firme, sempre olhando nos olhos das pessoas. Ficava severo e a voz calma aumentava o tom e a vibração, diante de injustiças, traições e desonestidades. Costumava dizer: "um homem sem palavra, não é um homem".
Meu pai permanece como exemplo na minha vida e dele sinto sempre muitas saudades, confortadas pela fé em Deus. Eu o conheci muito, o observei muito, me identifico muito com ele em várias situações. Somos parecidos, quase idênticos, nas qualidades e nos defeitos. Sei que fui uma filha muito amada pelo meu pai. Conheci suas opiniões, contestei algumas, fui cúmplice em muitas, dei palpites sobre seus discursos e alianças na política, subia em palanques com ele. O ouvi contar histórias no alpendre do bangalô, brincava com ele de fazer “careta” um para o outro, até que os dois não agüentassem mais de tanto ri. Fiz meu pai dançar a música Maresia de Gabriel Pensador, na sala lá de casa...Quem imagina, João Ursulino fazendo isso? Pois é, para me vê sorrindo, ele fazia qualquer coisa. Até hoje quando estou na barragem do Quixeré, ainda imagino ouvir seu grito, na hora do almoço: “Jailmaaaaaaaaaaaaaaaaaaa...” o sítio inteiro ouvia...
Uma mensagem da poetisa Gladys Lacerda, intitulada de "PAI" traduz o que eu gostaria de dizer pra ele neste Dia dos Pais: "SE VOCÊ SOUBESSE A FALTA QUE ME FAZ...EU SEI: SE VOCÊ SOUBESSE, VOLTARIA E NÃO MORRERIA NUNCA MAIS..."
Para todos os pais, FELIZ DIA DOS PAIS, e aos filhos, como disse Renato Russo, eu diria que "é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, porque se você parar pra pensar, na verdade não há..."

Anna Jailma – jornalista.


6 comentários:

Andrea disse...

Oi Jailma,
Fiquei muito emocionada com sua homenagem ao saudoso tio João,parece que foi ontem né?
Nossa que saudades...
Lembro dele regando o pé de laranja lá no bangalô,tanto jeito pra organizar as coisas,jamais conheci um homem tão organizado.
As histórias lá no alpendre depois do jantar...
Saudade é a palavra que significa tudo que sinto por um tio tão amado...
Obrigada meu Deus por ter nos dado a alegria de viver momentos eternos de felicidade ao lado de familiares tão amados.

Maysa disse...

Um texto emocionante e lindo só poderia vir do coração de uma filha tão AMADA como você. Saudades sempre do tio mais engraçado e querido da família.

Geraldo Anízio disse...

Jailma, vivi com seu texto, por sinal muito emotivo, recordações do amigo João Ursulino naquele período em que eu morei em São João.Estive com seu Tio Joaquim Úrsula em Nataal, e nós, falávamos da figura simpaticíssima que era João Ursulino. Naquele época 84,85, estive por várias vezes palestrando e prosando na calçada dele, e foi exatamente num dia desses em que ele me apresentou um dos irmãos do seu avô José Romão.Lembro-me que, seu tio avô estava com um lenço de cor vermelha em volta do pescoço.Trago lembranças nítidas de você abraçado à cintura de seu pai ainda menina moça! Muito bom lembrar sobre seu pai. Saudades.

ANNA JAILMA disse...

Obrigada à todos que compartilharam desta emoção comigo.
Geraldo Anízio, meu tio-avô de lenço em volta do pescoço, certamente era tio Egídio, que residia em Recife, PE. Ele costumava nos visitar e ficava em nossa casa, em São João.

Thais disse...

Jailma,
Vc com o dom mravilhoso de usar as palavras certas no momento extao, mais uma vez, me emocionou...Estou aqui trabalhando e resolvi olhar o seu blog para refrescar para me informar das novidades e refescar a mente, de repente esse texto tão especial que vc fez para tio João...
Impossível conter as lágrimas mas, hj chorei de saudade dos momentos maravilhosos que felizmente podemos compartilhar com ele que foi e continuará sendo tão especial para nós. Você foi mesmo uma filha muito amada prima, e tio João, onde estiver, estará sempre feliz pela pessoa especial e única que é vc.

Thais disse...

Jailma,
Vc com o dom maravilhoso de usar as palavras certas no momento exato, mais uma vez, me emocionou...Estou aqui trabalhando e resolvi olhar o seu blog para me informar das novidades e refescar a mente e, de repente esse texto tão especial que vc fez para tio João...
Impossível conter as lágrimas mas, hj chorei de saudade dos momentos maravilhosos que felizmente podemos compartilhar com ele que foi e continuará sendo tão especial para nós. Você foi mesmo uma filha muito amada prima, e tio João, onde estiver, estará sempre feliz pela pessoa especial e única que é vc.