segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Poesia da Terra - Por Egydio Medeiros





Recebi via e-mail, uma poesia de Egydio Alves de Medeiros, também um "Januário", residente em São Paulo, SP. A poesia "São João do Sabugi" foi escrita por Egydio, em dezembro de 2005 e relembra momentos da seca sertaneja quando o cardeiro é utilizado como alimento para o gado. Sua memória poética também registra o período de inverno, com açudes cheios, mato verde e cheiro de chuva na terra molhada. Finalizando, Egydio cita sua trajetória na terra da garoa, capital paulista, onde o poeta tornou-se bombeiro, contruiu família e lá continua...Como o grande Manuel Bandeira, Egydio também tem sua "Pasárgada", sua São João do Sabugi, sua terra natal.

Anna Jailma - jornalista e blogueira


Foto de Anchieta França: Serra do Mulungu e Rio Sabugi
Fotos de Dercílio Morais: Serra do Mulungu e cactus; e paisagem de pote na parte interna da casa de taipa montada no São João de 2005 e 2006
Fotos de Egnaldo Medeiros: paisagem da Barragem das Carnaúbas
São João do Sabugi


Eu vou lá para São João
Sou parente do prefeito
Tem no seu nome, Galvão
Por quem tenho grande respeito
Mas é Brito de Medeiros
Parente de qualquer jeito

Períodos de sofrimento
Que tanto memorizei
No tempo das vacas magras
Até cardeiro eu plantei
Mas é minha Pasárgada
Já fui amigo do rei

Lá nas terras Sabugi
Tem coisas que eu muito amei
Que recordo com saudade
Nunca mais esquecerei
Fica na minha memória
Como passagens de glória
Mato verde, Açude cheio

Eu fui embora pro sul
Percorri imensas trilhas
Parei aqui em São Paulo
Viajei por muitos dias
Foi a chave do sucesso
Construí grande família

Aqui escolhi bombeiro
Como minha profissão
Aprendi amar o próximo
Foi minha dedicação
Ser bombeiro é ser humilde
Tenho muita gratidão

Egydio 19/12/2005

5 comentários:

Elisa Helena disse...

Jailma , me emocionei ao ver a poesia do mano ( Egydio) na sua pagina , afinal esta história todos nós fazemos parte.
Obrigada.

ANNA JAILMA - annajailma@yahoo.com.br disse...

Elisa, me surpreendi com a rapidez de seu comentário; pois, ainda estava ajustando as fotografias e quando finalmente concluí, já estava aqui seu comentário. Vocês são sempre bem-vindos neste espaço e Egydio é sobretudo, poeta! Abraços.

Valter Júnior disse...

Fiquei feliz em ver a poesia do primo Egydio estampada no seu blog. Abraços aos meus familiares e a você Anna pelo belíssimo blog.

Geraldo Anízio disse...

Jailma, esse pote com água fresca da cacimba do rio Sabugi,
Esse pano de cobrir o pote,
Essa cantareira de pau-pereiro,
Essa bacia de rosto,
parece tanto, que chego a pensar que esse pote, não daria para encher
as lágrimas do meu pranto!
Anchieta, soube no automatismo da sua objetiva, trazer à tona
o belo do meu sertão nordestino.
Palmas!

ANNA JAILMA - annajailma@yahoo.com.br disse...

Realmente Geraldo, a casa de taipa montada em 2005 e 2006 nos festejos juninos, remete a poesia sertaneja que escreve nossa história de vida.
As fotos dos detalhes internos da casa foram feitos por Dercílio Morais, filho de Braz Caboclo.