terça-feira, 13 de novembro de 2007

Lembrança de Outrora IV - Quixeré

Foto (Anna Jailma): Casa do Alto

Foto (Anna Jailma): Capela de S. Sebastião


Foto (arquivo de Djanira): Bangalô do Quixeré

Foto (arquivo de Djanira): Túnel Fernando de Noronha, que hoje encontra-se soterrado

Foto (Anna Jailma): Barragem do Quixeré, ponto de encontro da família nos dias de hoje

Em lembrança de outrora registro hoje o Quixeré. Na verdade este sítio é registrado com nome de Lagoa do Alto, devido uma lagoa próxima a Casa do Alto, como é chamada a casa de meus avós paternos, João Ursulino de Maria e Francisca Catarina de Assis. Meu avô, João Ursulino de Maria, era filho de Úrsula Maria da Conceição e ficou conhecido como João de Úrsula e depois João Úrsula. Ele tinha outros irmãos, todos com sobrenome Ursulino, inclusive, Manoel Ursulino, que é o pai de Sr. Pedro do Bar. Já minha avó, Francisca Catarina de Assis, é natural de Santa Luzia, PB, onde residiu até casar-se.
A Mina de Sheelita, descoberta nos anos 40, foi registrada com nome de Mina Quixeré. Segundo contam, havia caboclas ou índias, em um serrote, que possuíam um cachorro com nome de Xareu. Gritavam: “Qui Xareu...” e as pessoas ao redor deram ao serrote o nome de Serrote Quixeré. Numa referência ao serrote, a mina e também o sítio ganharam o nome de Quixeré.
Com uma família de 13 filhos, meus avós costumavam realizar forrós pé-de-serra na Casa do Alto, que fica localizada no lugar mais alto do sítio, de onde é possível avistar sítios próximos, como o Juá. Nos forrós, não havia horário para encerrar o baile. Geralmente dançavam até o amanhecer. Com muitos garimpeiros, sabugienses e pessoas da família Úrsula, a festa acontecia com muita dança. Muitos namoros iniciaram e/ou terminaram diante da Casa do Alto, no balanço do forró pé-de-serra.
Em frente a Casa do Alto, está a Capela de S. Sebastião, onde houve casamentos religiosos da família em outrora. Hoje, no dia de S. Sebastião, os familiares levam o santo até uma residência da família e depois, em procissão, “sobem o alto”, até a Capela; onde é rezado um terço e há reflexão do evangelho. Em 2007, a reflexão foi feita pelo meu tio Aderaldo, residente no Pará, que estava aqui na ocasião.
O bangalô, como é conhecido a casa que foi de meu pai, João Ursulino de Assis, foi construída por Oscar Piquet, para ser sua residência na época da Mina. Foi neste bangalô que passei todas as férias da infância, brincando de boneca no alpendre e ouvindo histórias contadas pelo meu pai. Também costumava ouvir músicas, embalada pelo balanço da rede. Bons tempos aqueles...
A barragem é hoje ponto de encontro da família. É lá, embaixo da oiticica, que os familiares se reúnem, cozinham uma bela panela de peixe ou feijoada e fazem a festa; inclusive, no último domingo foi assim.
Na casa de tia Francisca, a filha mais velha de todos os irmãos, que hoje conta com 87 anos, permanece havendo os tradicionais forrós, em aniversários ou feriados que reúnem familiares. Residem no Quixeré, ainda hoje: Francisquinha e 05 filhos, sendo um deles com esposa e filhos; Manoel Úrsula e esposa; João Bosco, esposa e três filhos; Chagas Úrsula, esposa e três filhos, sendo dois deles de família constituída; Arivaldo (filho de José Úrsula), esposa e uma das filhas; Dalvaci (filha de Mariêta) e esposo.
Assim, de uma forma ou outra, com mudanças, tempestades e bonanças, o Quixeré persiste fazendo nossa história, a história dos negros da família Úrsula.


Anna Jailma - jornalista e blogueira, do Quixeré.

6 comentários:

Anônimo disse...

se hove-se um gajo bom era melhor

Anônimo disse...

Parabéns Anna Jailma, são poucos as pessoas que valorizam sua terra, sua gente. Que falam a verdade e não se envergonham de mostrar o que realmente são. Continue assim.As imagens de sua cidade são maravilhosas, uma cidade limpa...E esse morro no fundo então!!!!Muito bom. O povo nordestino são hospitaleiros e muito apegados ao que é seu, não deixando de valorizar o que é dos outros; são adaptáveis, isso é muito bom!!!

ANNA JAILMA - annajailma@yahoo.com.br disse...

Anônimo que escreveu em 11 de janeiro de 2008, não entendi o que seria 'um gajo' bom...De qualquer forma, grata pela visita.
Anônimo de 22 de maio, obrigada pelo incentivo e pelos elogios ao povo nordestino. Volte sempre.

Anônimo disse...

parabens Anna jailma pela matéria sobre a mina do quixeré em são joão do sabugi como tambem pelas fotos fascinantes daquele local tão rústico, imaginativo e intrigante

Anônimo disse...

Parabéns Ana Jailma pela excelente explanação sobre a histórica mina Quixeré. Tenho em mãos o livro da minha amiga Djanira que tão bem soube retratar essa belíssima história da nossa gente. Como sabugiense me orgulho de saber que da minha terra brotaram tanta gente inteligente e culta. Daniel Oliveira (irdanielmedeiros@hotmail.com)

Anônimo disse...

oi meu nome é samuel,e estou aqui pra dizer que sou de upanema,rn e fiquei feliz em ver essa materia pois meu avô cicero romão de assis é irmão de francisca catarina de assis,eu sou filho de maria daguia,e se possivel queria poder entra em contato os nossos familiares, se possive meu email é (eudafiel@hotmail.com )queriamos muito isso, e desde ja agrdesso por proporcionar essa materia á nossa familia pos nos alegramos em recordar nossa historia !!