sábado, 29 de dezembro de 2007

Despedida

Foto (albúm de família): tio Chagas Úrsula, nosso garimpeiro.
Em 27 de dezembro, tio Chagas Úrsula partiu para a Casa do Pai. Sua história de vida é entrelaçada com a Mina Quixeré. Ele é o menino que estava com tia Mariêta pastoreando cabras, quando ela percebeu o brilho diferente da sheelita no solo árido do Quixeré, dando início a uma época de garimpo e prosperidade na região, na década de 40. Acompanhou a chegada e a despedida da exploração de minério. Foi um dos principais colaboradores, em entrevistas, para a realização do livro Quixeré, de autoria da pedagoga Djanira Medeiros.
Nasceu em Santa Luzia, PB, terra de sua mãe Francisca Catarina, mas foi no Quixeré que ele viveu a infância, juventude, casou, constituiu família, foi garimpeiro e agricultor, fincou os pés e a alma. Trabalho e família são as palavras que mais traduzem sua vivência aqui na terra. Criou três filhos responsáveis, batalhadores e apaixonados pelo Quixeré tanto quanto ele. Sua “Chicó”, foi sua eterna namorada; com quem ele dançava forró pé-de-serra nas festas juninas.
Quando relembro tio Chagas, lembro-me dele passando com o gado, que não era muito, ou no sol escaldante do meio-dia indo do roçado para casa. Na segunda-feira, sua visita na minha casa era tradicional: “comadre Ermita, tem um cafezinho?”. E na mesa ele sentava, com um ar sereno, e começava a conversar com meu pai sobre o que mais gostavam: a vida no sítio.
Nos últimos anos, devido a doença de Alzheimer, tio Chagas vivia num mundo à parte, com o pensamento aparentemente distante ou inexistente. Partiu como a Mina Quixeré: deixando rastros de saudade.
Anna Jailma - jornalista e blogueira

3 comentários:

ANNA JAILMA - annajailma@yahoo.com.br disse...

Recebi esta mensagem de minha prima Andréa Úrsula, residente em Brasília, DF, e estou transmitindo no blog: "Oi Jailma, muito bela e merecida a homenagem. O Tio Chagas permanecerá para sempre na memória de todos os que o conheciam como um homem sereno e de uma simplicidade única. Jamais vou esquecer os dias da feira(toda segunda-feira),qdo eu estava andando pela rua e ia ao seu encontro tomar abenção,ele me abençoava com o seu jeito manso e perguntava sempre se estava td bem com tds lá de casa.Depois de alguns minutos ele seguia para ir logo pegar um lugar no carro que fazia o trajeto de volta para o sítio, que ele tanto amava e lá ficou toda a sua vida.
Bjs prima,obrigada pela oportunidade de demontrar esse carinho q tenho por ele.
FELIZ 2008...." ANDRÉA ÚRSULA.

João Quintino disse...

Jailma, para além da importância de Chagas Úrsula para família e para comunidade, quero destacar a beleza dessa imagem, algo que me emocionou. Quem foi o fotógrafo? Esse crepúsculo ou amanhecer é natural ou efeito? Minhas condolências aos Úrsulas!

ANNA JAILMA - annajailma@yahoo.com.br disse...

J.Q
Obrigada pelo contato e atencioso comentário. Sobre a fotografia, por incrível que pareça, é natural, sem nenhum efeito de montagem e foi feita pelo pessoal de casa mesmo. A foto foi de Gorete, filha de tio Chagas, em março ou abril de 2007.