sábado, 5 de abril de 2008

Mundo Abstrato VI - Empatia com a escrita


Desde criança gosto de escrever e sinto-me num mundo à parte, quando estou entre um papel e um lápis, entre as teclas e uma página em branco. A TV pode permanecer ligada, o som pode fazer barulho e as pessoas podem conversar ao meu redor, que nada atrapalha. Entre eu e a escrita permanece a entrega, a empatia, a cumplicidade.
Algumas vezes as pessoas comentam comigo que sentem dificuldade em escrever. Costumo responder que o segredo para criar empatia com a escrita é simples: não ter medo de expressar o que sente. A escrita não permite grandes preocupações. É necessário apenas ter a coragem de expressar seu sentimento, sua opinião mais sincera.
Muitas vezes a escrita funciona como um bálsamo que lava a alma, quando arrancamos alguma dor da alma e a deixamos presa no papel ou na página salva no computador. Outras vezes a escrita funciona como um baú, onde guardamos as lembranças mais preciosas, pessoas e momentos especiais. Quem já sentiu a emoção de ler um cartão, uma carta ou um simples bilhete, de alguém especial que já não existe entre nós? E nossos rascunhos de criança? Como é bom contemplar... A escrita tem o poder de nos pegar pela mão e nos conduzir numa viagem pelo tempo. É só uma questão de se deixar conduzir.

Anna Jailma - jornalista e blogueira

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