sábado, 17 de maio de 2008

Sem jornalismo não há salvação


Recebi um artigo sobre Jornalismo, de autoria do jornalista Gladson Eduardo Alves de Morais, que foi meu colega do curso de Jornalismo em Campina Grande, PB.
Gladson, desde a época de estudante, sempre conduziu uma alma idealista, um olhar que vai além do horizonte. É poeta, discípulo de Manuel Bandeira, é escritor, jornalista e um ser humano que enxerga longe.
Atualmente, Gladson é Assessor de Comunicação da Prefeitura Municipal de Nova Cruz.
Foto: arquivo pessoal de Gladson.
Boa leitura!

Anna Jailma - jornalista e blogueira



Sem jornalismo não há salvação
Gladson Morais - Jornalista


Jornalismo não é genuflexão aos anseios corrompidos de uma parcela burguesa, que deteriora numa lapidação progressiva a sociedade. Jornalismo não é a palavra patrocinada, que conduz a massa hipnótica, burra e robotizada rumo ao clero religioso da desinformação. Jornalismo não é masmorra, corrente enferrujada ou alcalóide sublimar, que vegeta nos cérebros dos homens e mulheres na conduta alheia a sua realidade. Jornalismo é a palavra redigida onde a ação motivadora se completa num flerte avançando a passos largos até o fato. Como ele é. O que ele reflete. O que ele ocasiona. Descortinando as penumbras da ignorância e fornecendo elementos da realidade nua e crua, gerando o cidadão informado, apto a processar sua independência no meio que está inserido.
O jornalismo vai mais além do que o fato da informação propriamente dita. Ele questiona com a voz da coletividade. Ele investiga com os olhos do bem comum. Ele opina balizado na formação de um espaço social correto, independente e igualitário. Jornalismo não é o monstro fabricado nos laboratórios de palavras pagas, servindo a um senhor, que não se chama sociedade.
Jornalismo não é o texto produzido por militantes, que subornaram seus neurônios a um plano egoísta, reacionário e desolador para toda a massa mastigada e cuspida ao acaso, em proveito próprio. Jornalismo passa longe dos gabinetes refrigerados onde fraudadores da comunicação, ditos jornalistas, fabricam suas inverdades, suas retóricas enfermas, seus planos escusos de perpetuação de um projeto pessoal ignóbil. Jornalismo é mais que profissão. É filosofia. É poesia. É ideologia. Como escreve o professor Clovis Rossi no livro O Que é Jornalismo: "A melhor preparação para a função jornalística será certamente jogada ao lixo se não for acompanhada de rigorosa honestidade no trabalho jornalístico". E completa mais a frente: "O dever fundamental do jornalista não é para com seu empregador, mas para com a sociedade. É para ela que o jornalista escreve".
Jornalismo trata-se de um conjunto de palavras, rabiscos e idéias jogadas ao público, que fecunda um estilo de comunicação esclarecedora, libertadora, e acima de tudo conscientizadora. Jornalismo caminha longe dos escambos de favores. Passeia indiferentes as cifras alucinógenas de consciências. Mastiga a claque patrocinada pelos adjetivos e verbos do que há de mais atrasado. Jornalismo não necessita de gracejos e elogios de quem não responda por uma comunidade amparada em nobreza e descanso coletivo. Jornalismo é uma contemplação da sociedade, buscando dentro da solidão petrificada das letras o prisma revelador de seu próprio espelho.
Não se pari jornalismo sem princípios e valores éticos. Não se ensina jornalismo com apego a valores materiais. Não se torna jornalista quem não tem coragem, quem não combate o bom combate. Não se é jornalista quem se esquiva da polêmica. Não se faz jornalista quem coloca o status acima do bom desempenho do oficio. E necessariamente nunca se fará jornalista aquele que não busca através da comunicação a construção de uma sociedade produtora de independência, formação e informação legível.

Nenhum comentário: