quarta-feira, 18 de junho de 2008

Lembrança de Outrora VII - Praça Antônio Quintino de Araújo

Foto - Enoque Pereira: nossa praça de ontem...

Foto - Mirvan Lúcio: nossa praça de hoje...


Foto - Anna Jailma: quem nunca foi neste coreto?

Foto - Anna Jailma: a carnaúba e as flores, embelezam nossa praça

*Praça Antônio Quintino de Araújo, nosso palco iluminado

"A mesma praça, o mesmo banco
As mesmas flores, o mesmo jardim
Tudo é igual, mas estou triste
Porque não tenho você perto de mim..."
( A Praça – Carlos Imperial)


Por Anna Jailma


A Praça Antônio Quintino de Araújo é o “palco iluminado” da vida de todos os sabugienses, integrando a história social e cultural da cidade e de seus munícipes.
Sua construção iniciou em 1952 e foi concluída em 1953, totalizando o valor de sessenta e cinco mil contos, e quinhentos mil réis para sua concretização. Seu projeto arquitetônico, desde sua origem, incluiu os tradicionais coretos, que tinham a finalidade de apresentar concertos musicais.Vale destacar que no mesmo local de seu atual coreto menor, já existia um coreto, chamado na época de “palanque”, onde a juventude se reunia para conversar, cantar, dançar e dizer charadas, ou “flertar”, como na época se referiam ao ato de paquerar ou enamorar-se.
A construção ocorreu na administração do prefeito Antônio Quintino de Araújo, conhecido como Antônio Garcia, e o responsável pelo projeto arquitetônico foi o caicoense Valeriano de Morais. O material da construção foi transportado em tropa de burros; inclusive, a água necessária para o serviço, foi transportada por uma tropa de propriedade do Sr. Severino Euzébio. Sob orientação do mestre de obras, caicoense, Manoel Ângelo da Silva, foram pedreiros da construção: Cândido Tito, João Dionísio, Jonas da Silva (Jonas de Atanásio), Braz Antônio de Morais (Braz Caboclo) e Expedito Santos, conhecido como“Pedaço”, filho do mestre de obras.
Com a conclusão de sua edificação, a praça foi inaugurada com o nome de Praça da Liberdade e posteriormente, na década de 1970, por ocasião da morte do Monsenhor Walfredo Gurgel, passou a chamar-se Praça Monsenhor Walfredo Gurgel. Somente após a morte do Sr. Antônio Quintino de Araújo (Antônio Garcia), a praça obteve seu nome, em sua homenagem, por ele ter sido o prefeito responsável pela sua construção.
Na Praça Antônio Quintino de Araújo, estão perpetuadas as festas do glorioso São João Batista; as históricas barracas juninas, movidas pela disputa entre dois grupos concorrentes; os pavilhões de São João Batista; os desfiles das jovens que marcaram a história da beleza sabugiense; os bailes de outrora; as quadrilhas e os forrós pé-de-serra, ao som do saudoso fole.
As mudanças do São João em São João, têm como palco a mesma praça. Os casais de namorados, de ontem e de hoje, têm na memória “a mesma praça, o mesmo banco, as mesmas flores, o mesmo jardim”, conforme a música de Carlos Imperial.
Nos recantos da Praça Antônio Quintino de Araújo estão impregnados o som do fole das quadrilhas, os acordes da Filarmônica Honório Maciel, o frevo das orquestras, a nostalgia das serestas, a realização de missas e leilões festivos, a voz forte dos discursos que marcaram a história política do município, as apresentações de artistas da terra e de renomados artistas do país, como o grande músico nordestino, Sivuca.
Compondo sua história está a Difusora, que consistia em serviço de som, onde músicas eram transmitidas por “alto-falante”, sendo antes em prédio do Sr. Basílio Gorgônio, onde funcionava a Prefeitura Municipal, no largo da futura praça, e depois, no eterno Bar da Praça, que compõe seu projeto arquitetônico. Na Difusora, passaram como locutores Pedro de Oliveira (Pedro Quinzinho), Gorgônio Bulhões (de Basílio Gorgônio), Ozilda Cavalcanti e Nobaldo Araújo ( de Manoel Preá); e foram redatoras das dedicatórias, Ermita Lucena, Lourdes Lucena, Maria do Desterro Figueiredo (de Hugolino) e Maria Alcy Ribeiro (Mina de Manoel Felipe); entre outros, que por lá passaram. Era pela Difusora, através das músicas dedicadas, que muitos namoros começavam e outros terminavam. A vida amorosa dos jovens tinha a trilha sonora divulgada na Difusora; em dobrados, valsas, choros, música instrumental de Saraiva e em músicas de Altemar Dutra, Luiz Gonzaga, Dalva de Oliveira, Ataulfo Alves, Nelson Gonçalves, Ademilde Fonseca, Erivelto Martins e tantos outros, que marcam a memória dos jovens de ontem; hoje, na terceira-idade. Era na praça, pela Difusora, que eram registrados encontros, desencontros e reencontros da juventude da época.
Conforme o passar dos anos, algumas alterações foram realizadas, como mudança no piso, no revestimento dos coretos e canteiros; a inclusão de cobertura, no espaço utilizado para bailes, e a construção de banheiros sociais.
É na Praça Antônio Quintino de Araújo, que permanece até nossos dias, o nosso carnaval, o São João em São João e o clima de confraternização e de alegria, perpetuados pelo povo da terra que a reconhece como maior espaço de lazer e de eventos sócio-culturais da cidade, pela música que ainda vem do Bar da Praça, embora não mais pela extinta Difusora, e principalmente, pela grandeza da história que a circunda.


FONTES DE INFORMAÇÃO:
- Adalberto Vieira de Medeiros
-Antônio de Araújo Medeiros
-Braz Antônio de Morais
- Dercílio Morais
-Ermita Lucena Santos de Assis
-Zeneide Lucena Santos
P.S Estas pessoas colaboraram dando informações sobre fatos da época.

*publicado em livro que será lançado hoje, em Noite Cultural, reunindo artigos que registram marcos da nossa história; organizados pelo turismólogo Lucas.


Anna Jailma - jornalista e blogueira

4 comentários:

Rafah Gomes disse...

OIn querida!
Que bom que foi me visitar...
acabei de fazer uma publicação de um assunto serio...
Passa lá e se puder divulgar....
Agradeço!!!
Abraços!

Moacy Cirne disse...

Gostei muito da primeira foto, em p&b. Beijos.

ANNA JAILMA - annajailma@yahoo.com.br disse...

Recebi este email que complementa informações sobre o artigo e agora publico para conhecimento de todos:

"Jailma,

Pelo que li no seu artigo, a história da difusora da praça veio até Nobaldo.
Mas em 1977, quando eu cursava o segundo ano do nível médio em Caicó, fui
convidado pelo prefeito Sr. Jonas Alencar a dar continuidade o trabalho de
Nobaldo, quando cheguei, recebi as instruções de funcionamento de Júnior
de Antonio Galvão que estava assumindo interinamente. Fiquei até início de
1980. Nesse período, incrementamos vários programas, resenha esportiva, funcionava
noutros horários (durante o dia) para compatibilizar com o estudo. Todas
as festas eram realizadas no Mercado Público e os soirées (suarês) e bingos
eram animados pela difusora, isto é, desmontava no Bar da Praça e montávamos
no Mercado. Ainda trabalhei na difusora com Janúncio de João Miguel e João
Rosemberg de Luiz Pedro, que eu acho, que foi o último locutor e sonoplasta
ou DJ.

Zé Marconi

ANNA JAILMA - annajailma@yahoo.com.br disse...

Acrescento que no artigo citei "...entre outros, que por lá passaram" quando me referi aos que passaram pela Difusora; justamente devido a possibilidade da falta de citação de nomes, visto que, o texto foi baseado apenas em informações orais colhidas na comunidade. O autor do livro me pediu o artigo dando-me prazo de 24horas para entrega e portanto não houve tempo hábil para pesquisa aprofundada; inclusive, não encontrei referência bibliográfica sobre o assunto.