terça-feira, 10 de junho de 2008

Marcílio Medeiros será homenageado no Concurso de Poetas

Foto - net: Marcílio Medeiros, escritor homenageado na nossa Noite Cultural
Foto - Anchieta França: São João, a cidade

Foto - Dercílio Morais: São João, a festa
Foto-Anchieta França: São João, o padroeiro
Anualmente acontece no São João em São João, o Concurso de Poetas Sabugienses, como forma de incentivar e valorizar a poesia; inclusive, revelando jovens talentos da terra. Neste ano, o evento acontece na Noite Cultural de 18 de junho, e homenageia Marcílio Medeiros, filho da Sra. Socorro Lins e Dr. Pedro Militão (in memoriam).
Marcílio Medeiros é escritor, membro da União Brasileira de Escritores – Secção Pernambuco UBE/PE. Publicou em 1984 o livro Anjo Clandestino e em 1998, A Pulsação Repleta.
Em 1984 eu contava com 9 anos e Anjo Clandestino foi o primeiro livro de poesias que li. Na época me encantei pela poesia “Saber”, que Marcílio dedicou ao irmão Flávio Medeiros e “Bonita Forma de Ser”, dedicada a sua sobrinha Mariana Medeiros. As poesias de Anjo Clandestino me fisgaram para o mundo poético e até hoje, mergulho em poesias da terra, de gente daqui e de outros lugares. Como diz o poeta “navegar é preciso”.
Atualmente podemos navegar na poesia e nas idéias de Marcílio Medeiros, conhecendo o blog Vida Literária (www.marciliomedeiros.zip.net) e o blog Liras, Musas & Aedos (www.marciliomedeiros.blogspot.com).
Vale destacar que em 1998, Marcílio Medeiros publicou seu amor por esta terra sabugiense, em texto publicado em edição de Páginas Sabugienses, organizado por João Quintino de Medeiros Filho e Grinaura Medeiros de Morais. O texto tem o título de "Salve, São João do Sabugi" e divulgo aqui, parte dele. Acredito que todo sabugiense, principalmente os que residem ou residiram em outras terras, identificam-se com as palavras e as lembranças de Marcílio, expressas aqui:

“...Muitas vezes, saímos de nossa terra natal, buscando algum tipo de felicidade que julgamos estar escondida em outro lugar.
Quando nascemos, crescemos e permanecemos no mesmo lugar, o valor das coisas que nos rodeiam parece que é reduzido, pois o cotidiano e a rotina viciam nossos olhos.
Quando, no entanto, nós nos distanciamos e nos deparamos com outras terras, às vezes nos sentimos perdidos e isolados, pois olhamos e não nos encontramos nas coisas e as pessoas parecem comunicar-se com outra linguagem. Nós queremos voltar, mas, muitas vezes, isso é impossível, pois estamos presos a novos laços.
Quando se está distante, como eu estou, é que se pode olhar para trás e ver as coisas com um olhar renovado, em que até o menor detalhe ganha um precioso significado. Neste caso, só a memória pode trazer as recordações, que aplacam a inquietude.
Dentre as recordações que alimentam a minha saudade, está São João do Sabugi, terra que guarda a história e a alma dos que me precederam e me fizeram existir, livro vivo com narrativa dos melhores momentos da minha infância.
Na verdade, não um São João, mas três.
São João, a cidade – para a qual eu ia pelo menos duas vezes por ano, no período junino e no Natal, ocasiões em que muitos dos filhos da terra ausentes para lá se dirigem. Lembro-me das andadas em cima dos muros da Prefeitura, dos banhos de rio, das idas aos sítios, das brincadeiras com os amigos. E as comidas, ah, as comidas: arroz de leite, umbuzada, paçoca, alfenim, puxa-puxa, cocadas e doces...Impossível esquecer a Serra do Mulungu, musa, guardiã, confidente de todas as vidas que por aí passaram e o maior símbolo da cidade. São João, aonde eu vou a fim de nutrir-me das forças da terra potiguar e renovar-me, para enfrentar as alegrias e as adversidades do dia-a-dia.
São João, a festa – com o Parque Lima, as fogueiras, em que nos tornávamos compadres e afilhados, os roletes de cana, os bailes no Mercado Público. Das festas brasileiras, é a que mais gosto, pois é leve, ingênuo e alegre, sem a menor sombra de melancolia.
São João, o santo – nosso São João Batista, com a sua procissão que me emocionou e emociona sempre, cadenciada pelo hino em que pedimos “Recebei as nossas preces e atendei-as sem detença”. Nesse momento, todas as pessoas se reúnem na mais sublime sintonia espiritual, para orarem uma poderosa prece coletiva. Depois da procissão, íamos à Igreja, pedir a proteção, reverenciar o Padroeiro e depositar o óbolo da nossa gratidão.
Essas suaves lembranças são um remédio nos momentos em que me sinto repartido entre a solidão e a minha família, o mundo das minhas origens e o mundo em que eu vivo e entre duas partes de mim mesmo, que parecem querer coisas diferentes.
Neste momento, enquanto escrevo, revejo cada momento e cada coisa descrita e sinto-me mais próximo da cidade e de vocês que me lêem...”



Marcílio Medeiros, seja muito bem-vindo!


Anna Jailma - jornalista e blogueira

2 comentários:

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