domingo, 8 de junho de 2008

Praça José Augusto: raízes para o ar...



Praça José Augusto em Caicó está em “reviravolta”, devido reforma. No local, era tradicional a existência de árvores da nossa caatinga, como caibreira, catingueira, tamarindo e outras espécies. O projeto arquitetônico da reforma “ignorou” as árvores do local, de forma que na Semana do Meio Ambiente, elas foram arrancadas do solo, permanecendo de “raízes para o ar”.
Estamos vivendo um tempo de caos no meio ambiente e sabemos que nossa região sofre ameaças de desertificação, inclusive, todos os dias sofremos na pele (literalmente...), as conseqüências das agressões desenfreadas ao meio ambiente. E o que fazemos em prol do meio ambiente? Participação em seminários, debates, fóruns...Isso é o bastante? Será que não estamos usufruindo daquele lamentável ditado popular: “faça o que digo e não faça o que eu faço???”
A Praça José Augusto certamente ficará muito bonita aos nossos olhos, mas esta beleza fica marcada pela destruição daquelas árvores que marcaram sua história. Só espero, e pelo menos espero, que outras árvores sejam inclusas no projeto de reforma da Praça José Augusto. E que estas, também sejam da nossa caatinga. Sem querer desmerecer o tão privilegiado “Nin”, vindo da Índia, defendo que as espécies da nossa caatinga não devem ficar apenas nas fotografias de outrora. As nossas caibreiras, catingueiras, pau d’arco devem ser privilegiadas em nosso sertão. Elas são nossas.
Complementando, informo que recebi comunicado que em reunião do Fórum Popular de Debates Permanente sobre Políticas Públicas de Caicó, ocorrida ontem, dia 07, foi aprovada e divulgada Nota de Repúdio perante a atitude do poder público municipal de Caicó. Segue trechos da Nota:


“...Nós, instituições que compõem o Fórum Popular de Debate Permanente de políticas Públicas em Caicó, movidas pelo sentimento de justiça, igualdade social, sustentabilidade e responsabilidade para com o meio ambiente, lançamos esta nota pública de repúdio ao gesto agressivo e autoritário do poder público municipal de Caicó, no episódio de destruição de espécies nativas do bioma caatinga em processo de extinção, quando do inicio da reforma na Praça José Augusto, com o seguinte conteúdo:
...O Fórum Popular de Debate Permanente de Políticas Públicas em Caicó se manifesta de público no combate a toda e qualquer iniciativa que, em nome do falso desenvolvimento, cause degradação ambiental e injustiça social. Se não mudarmos de paradigmas civilizatórios, se não reinventarmos relações mais benevolentes e sinérgicas com a natureza e de maior compromisso com a vida, dificilmente conservaremos a sustentabilidade necessária para realizar o projeto humano, aberto para o futuro e para o infinito. Preocupa-nos também a omissão do IBAMA, IDEMA e MINISTÉRIO PÚBLICO que, diante do fato, fez apenas lamentações, num gesto de impunidade institucionalizada, passando a imagem de que a violência, o crime ambiental e o desrespeito à lei compensam..
...A gestão pública municipal de Caicó, com este episódio da reforma da Praça José Augusto, desrespeitou a constituição brasileira, A lei de crimes ambientais, o código florestal, a lei orgânica do município, as entidades ambientalistas, o ministério público e o povo. A prefeitura trata a questão ambiental do município com desprezo e preconceito, se não vejamos: a reforma da praça não tem licença ambiental, nenhum órgão ambiental autorizou a derrubadas das árvores, não existe o plano municipal de meio ambiente, Não há recursos no fundo municipal de meio ambiente, o conselho não funciona, não existe um quadro de pessoal técnico qualificado e a secretaria é uma peça de ficção. Por fim, é necessário explicitar publicamente os conflitos pela apropriação do meio ambiente. Ao invés de tentar simplesmente reduzi-lo artificiosamente a uma transação de obras e interesses eleitoreiros, o conflito entre diferentes projetos de apropriação dos recursos naturais deve ser explicitado na esfera política, abrindo caminhos para a elaboração coletiva de rumos para redemocratização do acesso aos recursos naturais e para desprivatização do meio ambiente comum”



Fotografias: divulgação
Anna Jailma - jornalista e blogueira

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