quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Sepultamento de prefeito de Santa Luzia ocorreu na manhã de hoje



O sepultamento do prefeito de Santa Luzia, Antônio Ivo de Medeiros, que também foi deputado estadual por dois mandatos na Paraíba, aconteceu na manhã de hoje em Santa Luzia, PB.
Na tarde e noite de ontem, aconteceu o velório no Yayu Clube da cidade; onde a população enfrentou fila para prestar as últimas homenagens ao homem do povo.
Na manhã de hoje houve Missa de corpo presente no clube da cidade onde uma multidão esteve presente; bem como, autoridades da Paraíba.
Conforme informação de minha sobrinha Suely Nóbrega, no sepultamento a população vestiu-se com antigas camisetas de campanhas eleitorais de Antônio Ivo e o carro de som percorreu as ruas com hinos de campanha.
Nas calçadas, as pessoas em pranto; pela tristeza de perder um político que teve a trajetória destacada pela honestidade e dedicação ao povo.
Antônio Ivo era um político raro, ímpar, que se doava sem saber se aquele à quem ele servia era seu eleitor ou não; inclusive, era comum pessoas de cidades da Paraíba e até do vizinho Estado do Rio Grande do Norte, procurarem seu socorro como médico em Santa Luzia.
Á todos, sem distinção, ele atendia com ar sereno e brincalhão, sobretudo, incansavelmente; porque sentia-se bem em atender cada um. Ele tinha espírito de doação.
Fotos: Assessoria de Imprensa da Prefeitura de Santa Luzia PB


Anna Jailma - jornalista e blogueira

Um comentário:

Anônimo disse...

Jailma, só hoje tive coragem de ler o seu blog sobre Antônio Ivo, o meu Biscoitão.
Não sei se vou conseguir expressar tudo que Antônio Ivo "significa" pra mim. Digo significa, porque pra mim ele ainda está muito presente, a única ausência é a presença física.
Aprendi ainda criança de colo, chama-lo de Biscoitão. Quando ele me pegava no colo e dizia: diga biscoitão e eu na inocência da criança dizia: bicotão!
(...) Cai as lágrimas... ufffa!
Cresci amando aquele homem que pra mim sempre foi um ícone, um modelo de homem perfeito, o meu chão o meu tudo...Antônio Ivo me cativou um amor de pai, era como se fosse o meu segundo pai, com o mesmo amor do primeiro.
Me pego diversas vezes pedindo perdão a DEUS pela idolatria que sempre tive por ele, e me pergunto se ele não pagou por isso com sua vida. Porque sabemos o quanto DEUS condena a idolatria, e o povo do Vale do Sabugi sempre idolatrou o Biscoitão.. Que DEUS possa me perdoar, porque continuo colocando ele no mesmo pedestal. E me pergunto: como não idolatrar Antônio Ivo?
Como não amar aquele homem que nasceu do povo, viveu pelo e para o povo e morreu pelo povo?
Antônio Ivo era ímpar! Ninguém é capaz de se assemelhar a ele, digo ninguém humano.Perco a noção entre os adjetivos para qualificar tamanha grandeza.
Homem simples, mas de gosto refinado. Altamente culto, devorava livros. Nunca perdeu sua simplicidade.
Ainda ouço o som dos seus passos adentrando em seu gabinete, onde eu o recepcionava com água gelada, seu café forte e sem açúcar. Pacotes e pacotes de cigarro se iam enquanto atendiam exaustivamente centenas de pessoas que o procuravam por diferentes motivos. Ora problemas de sáude, ora problemas financeiros. Não sabia dizer não.
Lembro de um episódio cômico: Certo dia, um homem o procurou no hospital Sinhá Carneiro aqui em Santa Luzia para pedir um caminhão pra trabalhar. Vejam só, o homem pediu que ele comprasse um caminhão! Sem saber dizer não e se sentindo encurralado naquela situação, ele disse: procure-me na próxima semana que resolvo seu problema... Coisas de Antônio Ivo!
No dia mais triste para o povo de Santa Luzia, 16 de dezembro de 2008 o meu mundo parou. O meu chão fugiu dos meus pés e o desespero tomou conta de mim. Lembro que o mundo escureceu e emudeceu. Tudo que eu mais queria ouvir era: é mentira! Mas era verdade.
Uma dor infinitamente insuportável consumia meu peito. Lembro do desespero nas ruas, o povo gritando " Mentira! Mentira! Isso não pode ser verdade, ele jamais faria isso".

E eu ali, ao meio daquele povo, atravessando as ruas sem destino. Tudo o que eu queria era andar e andar até chegar ao fim do mundo.O hospital já não comportava tanta gente que chegava, uns desmaiados, outros em estado de chock, problemas arteriais ou cardíacos provocados ou acentuados pela triste notícia. Era um cenário desolador!
No dia 17 de dezembro, quando o cortejo com seu corpo entrava na cidade, o sino da igreja matriz começou a repicar, o homem que tocava passou mal em cima da torre, mas não desistiu da última homenagem ao amigo.
Nós, os seus funcionários já haviamos recebido a notícia que Soledade e Juazeirinho o recepcionaram cobrindo a BR com pétalas de rosas e muitas lágrimas. A multidão em Santa Luzia aguardava nas calçadas, o desempero tomava conta de todos, homens, mulheres, jovens, crianças e idosos todos num só grito de dor. Seu corpo chega em frente a prefeitura, corrí pra cima do carro tentando toca-lo num ato desesperado, a dor era indiscritível...não consigo expressa-la...
(...) desculpem-me, mas não consigo continuar descrevendo. Talvez em outra oportunidade.
Desculpe, mas fiquei aos prantos escrevendo e não consegui terminar nem ao menos enviar ao blog...

Janaína Patrícia Ursulino - Santa Luzia PB