sábado, 30 de maio de 2009

Saudade do Quixeré

Foto - Janaína Patrícia: o entardecer no Quixeré
Final de semana, época de chuva no Seridó e hoje acordei lembrando do Quixeré.
Ainda não estive por lá neste ano. Até morando nas cidades interioranas acabamos levados pela correria do dia-a-dia e vamos adiando, adiando, passeios e outros momentos de lazer...Quando vemos o tempo passou.
Ontem recebi uma mensagem da minha prima Catarina, filha de tia Mariêta, que reside em Cárcere, no Mato Grosso. Vi Catarina quando ainda era criança e ontem ela entrou em contato com uma colega de trabalho e deixou um recado de que havia conhecido o blog À Flor da Terra. Ficou surpresa e emocionada de ter conseguido notícias daqui, e mais ainda por ter percebido que as notícias eram postadas por mim.
A mensagem dela me trouxe lembranças do Quixeré...Meu Quixeré, Quixeré de tantas negras, mulatas, das "morenas de Angola", mestiças. Quixeré da mina, da sheelita louca na bateia, da barragem que foi embora e foi reconstruída, da Capela de São Sebastião, idealizada pela minha avó Francisca Catarina, da Casa do Alto de bailes e mesa larga...
O Quixeré das banquetas, das inúmeras faveleiras, pereiros, oiticicas, umbuzeiros, pé de laranja, pé de cajarana. O Quixeré do "arrasta pé" no terreiro, ao som do fole, do zabumba... Meu Quixeré tem muitas imagens, algumas coloridas, outras em preto e branco.
Quixeré do meu pai, do bangalô, da cerca de pedra, da favela que machucava meu pé quando criança. Quixeré de túneis que me assustavam na infância e ao mesmo tempo encantavam, quando lembrados nas histórias da Mina; relatadas como contos de fada...
Quixeré das férias, do leite bebido no curral, do banho no Poço das Mulheres ou na barragem transbordando. Quixeré Quilombo, conquista de um negro nascido na Lei do Ventre Livre, conquista de meu avô paterno João Ursulino de Maria.
Quixeré do canto de Bosco ecoando pela caatinga, do som da costura de Francisca, do som da bateia de Mariêta, da presença de João do bangalô, da mansidão de Chagas, do José que buscava ouro na terra seca.
Quixeré da Rita que foi tão cedo, da Verônica tão vaidosa, de Nevinha tão bela, de Joaquim idealista, do Aderaldo sonhador, do Manoel que apostou em São Paulo e do Adelso que apostou no Pará...
Quixeré dos que se foram, dos que permanecem e dos que virão.
O Quixeré é tão vivo e reluzente quanto nos anos dourados da mina de sheelita, porque seu brilho é eterno, seu brilho é sua gente.


Anna Jailma - jornalista e blogueira, negra do Quixeré.

8 comentários:

ivete disse...

Oi, Jailma, li sua mensagem sobre o Quixeré. Eu também tenho o Quixeré em minha vida. Imagino que o seu Quixeré é o dos Ursulas. O meu Quixeré é o dos Melos. de Zé Melão. Felicidades em encontrar esse nome marcante em minha vida também. Sou Ivete Bezerra, filha de José Melo, conhecido por Zé Melão. Moro em Natal.
Felicidades pra voce.
ivete bezerra

ANNA JAILMA - annajailma@yahoo.com.br disse...

Ivete,
Que prazer imenso recebê-la aqui no blog. Não conheço o Quixeré dos Melos mas sempre ouvi falar neste Quixeré vizinho ao nosso.
Se você quiser escrever algo sobre suas lembranças no seu Quixeré para publicar aqui, sinta-se à vontade. Você manda para meu email:
annajailma@yahoo.com.br
Grande abraço.

catkerg disse...

Ivete e Jailma...sou Catarina que reside em Cáceres no MT., por acaso Ivete é irmão de Juba, onde está ele? bons tempos quando jogávamos cartas com ele e passeávamos na praça em Caicó, ele é muito inteligente e muito querido. O quixeré de zé melão chama-se, se não me engano, quixeré de cima de ...divisa com o quixeré dos Úrsulas...conheço bem este chão e sinto muita, muita saudade. bjs. a todos!!!!!!!!Jailma, obrigadapor divulgar nosso quixeré, nossa terra e nossa gente, você é um talento, amei seus textos, parabéns, estou orgulhosa de você.Parabéns!!!!!

Anônimo disse...

Fiquei feliz com a recordação do quixeré e dos preparativos para a festa junina.Parabéns.

Egydio Medeiros

ANNA JAILMA - annajailma@yahoo.com.br disse...

Catarina,
Obrigada pelo contato e pelos elogios. Ivete deve ser irmã de Juba mas não os conheço pessoalmente. Que bom que o texto trouxe boas recordações.
Grande abraço e me mande notícias pelo meu email. Te adicionei no msn mas ainda não nos encontramos no msn para conversar.
Grande abraço para os Úrsulas do Mato Grosso.

ANNA JAILMA - annajailma@yahoo.com.br disse...

Egydio Medeiros é sempre muito bem-vindo ao blog À Flor da Terra, inclusive, já já vou colocar poesias dele por aqui.

Inarla disse...

eu sou inarla
moro em quixere gosto muito dele
para quem ñ conhece ele ñ é muito bonito mas é legal
bjosss

ANNA JAILMA - annajailma@yahoo.com.br disse...

Inarla, creio que o Quixeré citado por você seja a cidade do Ceará.
O que citei no texto é um sítio no interior do Rio Grande do Norte.

Abraço.