sexta-feira, 31 de julho de 2009

"De certo, sou cego de guia, mas, quem me guia é Sant'Ana"

Anfiteatro Hilda Araújo, na Ilha de Sant'Ana, de Caicó, RN

Sant'Ana, a avó de Jesus e todos nós,
surge no espetáculo como intercessora do povo do Seridó...

Povo que clama por Sant'Ana...

Depois de serem ameaçados por Tupã...

Somos como ele, "cego de guia, guiado por Sant'Ana"...
Na noite de ontem, o Anfiteatro Hilda Araújo foi palco para o Auto de Sant’Ana que neste ano, teve na direção os caicoenses Jonas Linhares e Maguila; com texto do professor Francisco Félix e música do maestro Márcio Dantas de Carnaúba dos Dantas, executada pela Filarmônica de Cruzeta.
O Auto foi uma mistura de história e cultura do Seridó, iniciando numa aldeia indígena, mostrando o cotidiano dos índios, depois passando pela Guerra dos Bárbaros, início da colonização, invasão dos holandeses, até chegar ao desenvolvimento econômico gerado pelos ofícios do povo do Seridó, como bordadeira, lavrador, pedreiro, parteira, louceira e tantos outros.
Cada ofício consagrava-se a Sant'Ana, depois de exaltar sua missão, seu trabalho em sociedade.
No Auto também é mostrado quando surge a prostituição, o tráfico de drogas e outros males da humanidade, gerado por aqueles que se deixam corromper e passam a se entregar a ganância por dinheiro, perdendo o compromisso de fé e o amor ao trabalho honesto.
O cego profeta relata que com o mal agindo na sociedade, o deus dos índios, Tupã, vai voltar para se vingar do povo e assim acontece; até que o povo arrependido e sofrido, clama a Sant’Ana, e ela como avó amorosa, que é mãe duas vezes, atende o clamor e salva seu povo.
Durante todo o Auto de Sant'Ana, o cego profeta relata a história que circunda a existência do Seridó e sempre se coloca como guiado por Sant'Ana: "De certo sou cego de guia, mas quem me guia é Sant'Ana". A mulher que guia o cego, o elogia por ser profeta, mas o contesta, dizendo quem o guia é ela...O cego fica indignado e segue reafirmando que Sant'Ana é responsável pelos seus passos na caminhada da vida, mas sempre, mostrando o Seridó e sua história.
Vale destacar que todo o texto é escrito em rimas e sempre usando como mote “de certo sou cego de guia, mas quem me guia é Sant'Ana".
Quem tem raiz no Seridó encontra sua identidade no espetáculo e sem dúvida, todos nós, somos guiados por Sant'Ana.
É emocionante, é mágico e a reação da platéia não poderia ser outra: uma mistura de aplausos, riso e choro.
As apresentações continuam hoje e amanhã, após a novena e quem ama o Seridó não pode perder.
Parabéns a todos que fizeram o Auto de Sant'Ana acontecer.


Anna Jailma - jornalista, blogueira e cega de guia, guiada por Sant'Ana.
Fotos - Anna Jailma

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