segunda-feira, 17 de agosto de 2009

FUXICO DOS BONS!


Poema "Fuxico" - de Rita Reikke


Um dia, me sentei num banquinho...
Desse pequenininho, que nem me cabia.
Chamei uma amiga de outrora, hoje já foi embora,
E me pus a fuxicar...
Eu ia, pensamento no barquinho
Descendo o ribeirinho...
Que eu nem sabia onde ia dar...
Onde aflora?!...O rio, e o pensamento do agora!...
E me propus sonhar...
Daí eu fui... me vi na senzala,
Fui negra faceira, só parei pra fuxicar...
Ficava ali depois da lida alinhavando o tecido
No final, ia puxar...
E no meio dessa vida dura, de tanta amargura,
E de tanto apanhar, fazia uma roda de amigas
Esquecia as feridas, sentávamos à fuxicar...
Falávamos dos senhores,
Ou das mãos que seguravam os açoites... Dura vida!
Um pouca esquecida, em meio ao colorido,
Em meio a miscigenação!
Onde um fuxico, se une ao outro
Forma corrente, toma amplitude...
É mesmo como falar de alguém,
Não dá pra voltar, nada mais detém...
Pra se fuxicar, é preciso cuidado!
Para formarmos as peças é preciso saber,
Onde vamos chegar!
É como o convívio...
Se vamos viver, ou teatralizar...
Um dia, me sentei num banquinho
Desse pequenininho, que nem me cabia
Chamei uma amiga de outrora, hoje já foi embora
E me pus a fuxicar...

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