quinta-feira, 26 de novembro de 2009

A Montanha


Subir a Serra do Mulungu é muito mais que uma escalada. É um estado de graça, é como seguir em romaria, é quase subir aos céus.
No caminho muito mais que pau e pedra, tem xique-xique, jurema, canto dos pássaros nos galhos acima de seus olhos e lá embaixo, por onde você já passou.
A cidade vai ficando pequena, o mundo vai ficando pequeno e as lembranças chegam em harmonia com seus passos: vem a lembrança das lendas que falam da “onça da serra”, vem a lembrança de Quinca Horácio que trazia mel das colméias da serra e contava entusiasmado que lá já havia subido várias vezes. Vem a lembrança de minha tia Nilce que nunca subiu a serra e dizia que era melhor assim; para que a Serra do Mulungu fosse sempre como estrela inalcançável.
Os passos quase chegam ao topo e sente-se a presença de Deus. É momento de refletir sobre a vida, sobre sua história, o que fez, o que falta fazer, o que não deveria ter feito.
Chega-se ao topo. O dia está amanhecendo. Você senta num lajedo e descansa maravilhado, iluminado pelo sol que está raiando. Os olhos observam o que pode-se enxergar do alto, onde tudo é tão pequeno. Você sente-se no Monte Sinai e o coração convida a fazer uma oração. Você reza e canta, agradece e principalmente sorri, de alegria, de satisfação, por sentir-se numa espécie de recanto do céu e ter a sensação que Deus pousou a mão na sua cabeça.
Nunca fui ao topo da Serra do Mulungu, mas, imagino que seja assim.


Anna Jailma - jornalista e blogueira

Foto - cedida por Kátia Maronni

3 comentários:

disse...

Amei esse texto sobre a serra do Mulungu. Eu tbm nunca subi a serra, portanto, no meu imaginário ela continua sendo intocável.

disse...

Ana sou leitora assídua do seu blog. Te admiro muito.

Regina Santos.

Natal/RN

ANNA JAILMA - annajailma@yahoo.com.br disse...

Regina obrigada pela presença e fidelidade ao blog.
Me mande um texto sobre sua ida imaginária a intocável Serra do Mulungu e publico aqui!

Grande abraço e volte sempre!