quinta-feira, 29 de abril de 2010

Brasília


Criada ou nascida
fênix cocatriz:
indefinida

arrastou-se ferida
no meio do país
abriu asas em simetria

ave ou nave: metálica
de candanga raiz (à mostra)
flutua estática.

Marcílio Medeiros

2 comentários:

Marcilio Medeiros disse...

Obrigado, Jailma. Abraço

Anônimo disse...

Holocausto
Geraldo Anízio de Medeiros


Corre logo capivara
Isso não é brincadeira
Já vem fogo na floresta
Devastando por inteira.
Pulo macaco e sagui
Foge pela correnteza
Que o homem botou foco
Pra acabar com a natureza.
Tucano voou pra longe
Papagaio bateu asas
Voaram todas as aves
Antes de tornarem brasas.
Corre tejo e tatu-peba
Vão pra loca nessa teima
Pra fugir dessa quentura
Que a terra toda queima.
Corre tudo quanto é bicho
Não espere tempo ruim
A mata será queimada
Só pra se plantar capim!
Pra onde tudo isso vai
Se não tem onde ficar?
Se não há outra floresta
Para a qual vamos morar?!
Fuja logo gafanhoto
Borboleta e pirilampo
Besouro vá pro buraco
Veado corra no campo.
Sucupira está queimando
Há fumaça nas alturas;
Labareda queima o verde
Telhado das criaturas!
Desenrola cobra jibóia
Chame logo cascavel;
Desçam no leito do rio
Que a fumaça está no céu!
Haja logo formigueiro
Deixe rápido esse lugar;
Macaco passou gritando
Compadre tamanduá.
Animais atormentados
No meio dessa desgraça;
Sem saberem aonde ir
Já perdidas na fumaça!
A madeira foi vendida
Pra fazer móvel de casa;
O resto será cinza
Transformado tudo em brasa!
Quem viver depois verá
Nada mais daquilo resta;
Era uma vez neste lugar
Uma formosa floresta.