terça-feira, 16 de novembro de 2010

"Os bons não morrem, ficam encantados"


Ontem houve a Missa de 30º dia pela morte de F. Gomes e como disse Dom Delson, “Missa de Ação de Graças em agradecimento pela pessoa que F. Gomes foi”.
Caicó ontem foi banhado por um mar branco. A população vestiu branco e da Igreja Matriz de São José, até a Ilha de Sant’Ana, "caminhando e cantando", todos pediam pela paz, pela justiça. Todos diziam “não” ao tráfico de drogas, aos traficantes, à impunidade.
A gravação com a voz de F. Gomes pedindo pela paz nas famílias e pelo fim do tráfico de drogas, confirmava uma frase do escritor Guimarães Rosa: “os bons não morrem, ficam encantados”. E com F. Gomes é assim: não morreu; permanece encantado nas afirmações firmes pedindo, exigindo, ações concretas contra a violência.
Depois da Missa, do Ato Público pela Paz na Ilha, cheguei em casa e fiquei pensando naquela multidão irmanada, fazendo valer a voz de F. Gomes. Que mar branco bonito de contemplar.
Pensaram que matando F. Gomes iriam calar sua voz; mas que engano: agora a voz de F. está multiplicada! Aquela voz que, todos os dias, visitava as famílias do Seridó pelas ondas do rádio, está enraizada em cada caicoense, em cada seridoense; e hoje, cada cidadão de bem vai as ruas exigir ações concretas contra as drogas, contra a violência.
Pensaram que matando F. Gomes iriam enfraquecer a luta contra as drogas. Engano! Nosso povo está ferido, mas irmanado na dor, que transforma-se em coragem de lutar pela paz e justiça; como F. Gomes lutou a vida inteira. Este é nosso legado.
Como na oração de São Francisco, o povo de Caicó levou amor, união, fé, verdade, esperança pelas ruas. O time da paz está formado e em campo, destinado a vencer. Vamos seguir em frente, com paz e coragem, força e determinação.
"O sertanejo é antes de tudo um forte", como disse Euclides da Cunha. Esta força interior move montanhas, é capaz de fazer acontecer. O exemplo de F. Gomes está eternizado em nós e vai permanecer vivo de geração à geração, como homem de paz que despertou a coragem do povo do Seridó de lutar com garra; indo as ruas manifestar seu “não à violência e não as drogas”.
Um dia vou contar para meu filho, a história de um menino do sertão que transformou-se em herói da paz.


Anna Jailma - jornalista e blogueira

Foto - blog de Marcos Dantas

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