quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Mania de matar Português


Quando estudei com D. Marinete Mariz, em São João do Sabugi, ouvi por diversas vezes ela dizer em alto e bom som: “meus alunos, não assassinem o Português!!! “ O mesmo alerta ouvi de Selma Bulhões, quando estudava em Caicó. Hoje vejo, com muita dó, que infelizmente nem todos os brasileiros tiveram professoras tão preocupadas com o assassinato da Língua Portuguesa e hoje, até os considerados mais informados, inteligentes e “letrados”, matam o Português diariamente e nos mais formais discursos.
Frequentemente tenho me perguntado se houve alguma alteração gramatical da Língua Portuguesa no referente ao português ser uma língua onde o gênero masculino se refere a “homem e mulher” em determinadas palavras. Por exemplo: quando se há unicamente mulheres em determinado local, deve-se dizer “todas”, mas quando há homens e mulheres, o correto é dizer “todos” porque na Língua Portuguesa o gênero masculino neste caso, se refere aos dois gêneros. Porém, ultimamente veio a moda ( ou seria febre?) do “todos e todas”: “boa noite a todos e todas”. Isso me doía o tímpano, até que resolvi pesquisar e descobri que ignorando qualquer regra gramatical, os brasileiros resolveram adotar este termo por entender que ao dizer somente “todos” estava havendo exclusão das mulheres ou nos colocando em segundo plano.
Em coluna de Marta Salomon na Folha de São Paulo em 29/08/2004 ela diz que o principal redator de discursos de Lula, o secretário-geral Luiz Dulci - ex-professor de língua e literatura - ouviu nas viagens pelo país, a reivindicação formal do movimento de mulheres contra o uso de palavras masculinas para tratar de ambos os sexos. Ele simplesmente aderiu. O ex-presidente trocou o “companheiros” por “todas e todos” e a nova onda invadiu o país.
Não posso deixar de expressar minha opinião feminina, mas absolutamente contrária a esta “moda ou febre" da atualidade. O gênero masculino ocupar o papel de “homens e mulheres” é somente uma característica da língua, mais do que um sinal de machismo.
A colunista Marta Salomon, na Folha de São Paulo, destaca que se os discursos quisessem mesmo dar mais atenção às mulheres deveriam dizer "cidadãs e cidadãos", "brasileiras e brasileiros". O resultado seria uma ênfase no feminino e um respeito maior à gramática.
A colunista ainda faz um alerta: “... Ao radicalizar a moda petista, o Brasil teria de reescrever seus dicionários. Opções no feminino não aparecem entre os verbetes. Nem no plural. Seriam machistas os dicionários?”
Enquanto isso, nos quatro cantos do país...o Português continua entre as páginas amareladas e cobertas pela poeira, trêmulo de medo de ouvir o próximo “pei, pei”, dos disparos certeiros contra sua existência.


Anna Jailma - jornalista e blogueira

2 comentários:

Francisco Nuno Ramos disse...

Parabéns.
Somos o OLP-Observatório da Língua Portuguesa: http://observatorio-lp.sapo.pt

ANNA JAILMA - annajailma@yahoo.com.br disse...

Francisco Nuno Ramos, muito obrigada pela visita ao blog e por compartilhar da minha simples opinião. É bom saber que não sou um ET no mundo dos "todos e todas"