quarta-feira, 6 de julho de 2011

Campo Alegre


"Respeite, ame e cultive, os recantos que lhe transmitem paz..."

Há muito tempo li uma bela história, que talvez seja "lenda", mas vale a pena comentar - e comparar... A história dizia assim: "um comerciante pediu ao amigo Olavo Bilac, poeta e jornalista, que escrevesse um texto para o jornal, anunciando a venda de um sítio de sua propriedade. Dias depois, o poeta Olavo Bilac enviou ao jornal: Vende-se encantadora propriedade, onde cantam os pássaros ao amanhecer no extenso arvoredo, cortada por cristalinas e marejantes águas de um ribeirão. A casa, banhada pelo sol nascente, oferece a sombra tranqüila das tardes na varanda”. Dias depois aquele comerciante, proprietário do sítio, encontrou Olavo Bilac e disse-lhe que havia desistido da venda, porque pelo texto do poeta, viu que ali não havia uma casa abandonada, que só lhe dava prejuízos e incomodações; mas sim, um lugar de paz, como Olavo Bilac o fez enxergar.

No final de junho, depois dos festejos de São João Batista, conheci um lugar que me fez lembrar o sítio divulgado por Olavo Bilac. Trata-se de Campo Alegre - o nome não podia ser outro - no município de Ipueira. O sítio é hoje propriedade de Toinho Brito e Suele. É lá que eles escutam o canto dos pássaros ao amanhecer, contemplam as águas cristalinas da barragem ao lado da casa e se deixam banhar pela luz do sol nascente nas manhãs, e pelo sossêgo da sombra tranquila ao entardecer...exatamente como o lugar descrito por Bilac. E como se não bastasse Bilac, Campo Alegre também traz a mente a música cantada por Elis:

"Eu quero uma casa no campo/Onde eu possa compor muitos rocks rurais/E tenha somente a certeza/Dos amigos do peito e nada mais/Eu quero uma casa no campo/Onde eu possa ficar no tamanho da paz/E tenha somente a certeza/Dos limites do corpo e nada mais/Eu quero carneiros e cabras pastando solenes/No meu jardim/Eu quero o silêncio das línguas cansadas/Eu quero a esperança de óculos/Meu filho de cuca legal/Eu quero plantar e colher com a mão/A pimenta e o sal/Eu quero uma casa no campo/Do tamanho ideal, pau-a-pique e sapé/Onde eu possa plantar meus amigos/Meus discos e livros/E nada mais..."


Anna Jailma - jornalista e blogueira

Fotos- Anna Jailma

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