quarta-feira, 6 de junho de 2012

CEJA, um reflexo dos “50 anos em 5”

Centro Educacional José Augusto - CEJA de Caicó RN

O lema “50 anos em 5”, do governo do presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira, de 1956 a 1961, provocou um clima de progresso em todo o país, baseado no plano de metas do governo federal, e refletiu no Rio Grande do Norte, precisamente no âmbito da Educação.
Em 04 de abril de 1960, sob decreto de lei nº 2.639, foi fundado em Caicó, o Instituto de Educação, hoje Centro Educacional José Augusto, CEJA, com funcionamento de todas as dependências do prédio, que já correspondia exatamente a estrutura atual, sem reduções ou acréscimos na sua arquitetura. O CEJA, desde sua edificação foi formado por 88 dependências, incluindo 31 salas de aula, 28 banheiros e Quadra de Esportes.
Na época, Dinarte de Medeiros Mariz era governador do Estado e o secretário de Educação do Estado era Tarcísio Maia. Além de Caicó, a cidade de Mossoró, no Rio Grande do Norte, também foi beneficiada com escola do mesmo porte, a Escola Estadual Jerônimo Rosado.
A edificação do Instituto de Educação, em Caicó, iniciou em junho de 1957, sendo concluída em 1960, impressionando pela sua arquitetura contemporânea, com grande número de dependências, rampas e corredores. Desde a inauguração, todas as salas de aula funcionaram, oferecendo ensino de Jardim da Infância, Escola de Aplicação, Curso Ginasial, Curso Científico e Curso Pedagógico; que formava professores. Era a junção do desejo de aprendizagem do povo seridoense com o pensamento futurista do presidente Juscelino Kubitschek. Referente a planta de edificação do CEJA, há divergências: alguns professores defendem ser planta de Oscar Niemayer, mesmo arquiteto de Brasília, DF, que atendendo pedido do senador Dinarte Mariz, teria feito a planta do colégio. Porém, outros professores e estudiosos afirmam que trata-se de projeto arquitetônico de Moacir Gomes, arquiteto do Machadão, estádio de futebol de Natal, RN.
O primeiro diretor do Instituto de Educação foi o professor José Celestino Galvão, contando com professores determinados pela Secretaria Estadual de Educação. No decorrer dos anos, foram diretores daquele estabelecimento educacional: Prof. José Celestino Galvão, Dr.Gentil Homem Filho, Pe. José Mário de Medeiros, Cícero Gomes de Faria, Oriel Segundo de Oliveira, Geraldo Soares Wanderley, Iran Ovídio de Medeiros, Luiz de França Sobrinho e Pe. José Tadeu de Araújo, que atualmente é diretor do CEJA, sendo esta a sua segunda gestão na administração do referido colégio.
A partir de 1975, o Instituto de Educação passou a Centro Educacional José Augusto – CEJA, ocorrendo junto a esta alteração, uma mudança na denominação dos níveis de ensino: Pré-escolar, 1º grau e 2º grau, tendo no 2º grau, as opções de Técnico em Contabilidade, Auxiliar de Escritório, Auxiliar Executivo e Administração. O antigo Curso Pedagógico, para formação de professores, passou a chamar-se Magistério e a Escola de Aplicação, que funcionava como laboratório para os professores recém-formados no Pedagógico, passou a 1º grau menor, deixando o caráter de escola laboratório.
Novas diretrizes do ensino foram determinadas, inserindo novas alterações, nos anos de 1996 e 1997, passando a Ensino Infantil, Ensino Fundamental, Ensino Médio e Educação de Jovens e Adultos. Diante disso, o CEJA passou a oferecer o Ensino Fundamental e Ensino Médio, contando atualmente com matrícula de aproximadamente 2 mil alunos, distribuídos em três turnos.
Sendo reconhecida como maior escola pública da região Seridó, o CEJA tem como complementos do ensino, a TV Escola, biblioteca, sala de leitura, brinquedoteca, oficinas produtivas, e laboratórios.
Sr. Teódulo: "O CEJA é tudo."
Na sua história, o CEJA tem um companheiro de viagem no decorrer das décadas. Trata-se do Sr. Teódulo Félix da Silva, de 78 anos de idade e 50 anos de trabalho dedicado ao CEJA. O Sr. Teódulo, natural de Acari, RN, veio para Caicó ainda em 1957, casado, pai de três filhos, para morar dentro da obra, acompanhando a construção daquele estabelecimento de ensino desde os primeiros alicerces. Ele relata que tinha como companheiro de trabalho, o Sr. Odilon Salvino, pai de Monsenhor Antenor Salvino de Araújo. “Eu vim como vigia, trabalhava com o Sr. Odilon Salvino. Ele ficava na parte de receber o material e eu sempre observando os trabalhadores. Eu conhecia a planta da obra, sabia decorado, era tudo tão bonito... Quando os técnicos vieram montar os móveis, vieram dois portugueses. Eles eram inteligentes, gostavam de conversar, mas na montagem de biblioteca, da sala de professor, daquelas salas todas, eles erravam muito e eu orientava”, comenta sorrindo, na sua simplicidade.
Segundo Sr. Teódulo, durante a construção, o governador Dinarte Mariz costumava visitar a obra e muitas pessoas da comunidade, visitavam a construção, curiosos pela sua grandiosidade. “Todo sábado a gente recebia o dinheiro na Casa de Construção, sem atrasos. O governador da época era Dinarte Mariz que sempre visitava a obra e era muito entusiasmado com a construção. As pessoas vinham olhar, se admiravam com a estrutura da construção e pensavam que era um sindicato, faziam muitas perguntas. Eu explicava que era para a Educação e alguns até duvidavam”, diz ele.
Relembrando a inauguração, ele destaca a presença de professores da época e o entusiasmo dos estudantes, que chegavam de toda parte do Seridó. “Foi uma coisa muito bonita em Caicó, porque era a abertura de um colégio público, para todos. Lembro-me de alguns presentes como Dr. João Medeiros, Dr. Araújo, Dr. Milton Marinho, que era o prefeito de Caicó, na época, e as professoras D. Myrtila e D. Iracema Trindade. A escola já começou com aproximadamente 2 mil alunos. Nesse tempo era Jardim da Infância, Escola de Aplicação, Escola Normal que chamavam também de Pedagógico, o Curso Ginasial e oficinas de arte. Cada setor desses tinha um diretor e havia o diretor geral que era o Pe. Galvão. Funcionou tudo num só dia. Foi a coisa mais interessante do mundo, uma beleza. Chegava ônibus das cidades vizinhas com seus estudantes, todo mundo muito interessado em estudar. Acho que hoje o povo estuda menos. Os alunos deixam de estudar até para brincarem com o celular. É um desenvolvimento que a gente tem medo”, comenta Sr. Teódulo.
Ele ainda acrescenta que as festas na Quadra de Esportes do CEJA, trouxeram a Caicó, vários artistas famosos nos anos dourados: “Havia muitas festas, com artistas cantando nessa quadra, como teve Adilson Ramos, Altemar Dutra e outros”.
Na época da entrevista, em 2007, o Sr. Teódulo contava com 78 anos e quando foi indagado sobre o significado do CEJA na sua vida, ele foi objetivo: “O CEJA é tudo”.


P.S Esta matéria, foi realizada em maio de 2007. O Sr. Teódulo conta hoje com 83 anos e entre os diretores do CEJA, certamente há mais nomes para citar ( fico devendo). Atualmente o diretor do CEJA é Roberto Sérgio. 
Fica aqui registrado o muitíssimo obrigada, a professora Ana Maria Dantas de Medeiros, autora da monografia “Memórias de uma Instituição – A trajetória do CEJA à luz das práticas de seus educadores”e ao Sr. Teódulo Félix da Silva, que me recebeu no CEJA, em maio de 2007, me dando importantes declarações para este trabalho.

Anna Jailma - jornalista e blogueira

4 comentários:

Sandro Abayomi disse...

O projeto é de Moacir mesmo. A semelhança com o traçado de Oscar Niemeyer deve-se ao fato, simples, que ele - Moacir - foi aluno do grande arquiteto carioca.

Anônimo disse...

Parabéns Ana, pela excelente matéria e principalmente pelo resgate da história de uma das escolas mais amadas de Caicó, "a minha escola, o CEJA", nela estive durante toda a minha vida estudantil da Educação Infantil até o 3º ano do Ensino Médio,saindo de lá para a UFRN, tive excelentes professores e uma formação educacional completa!

Flávia Nóbrega

Anônimo disse...

Parabéns Ana, pela excelente matéria e principalmente pelo resgate da história de uma das escolas mais amadas de Caicó, "a minha escola, o CEJA", nela estive toda a minha vida estudantil, desde a Educação Infantil até o 3º ano do Ensino Médio, saindo de lá para a UFRN, tive excelentes professores e uma formação educacional completa!

Flávia Nóbrega

Anônimo disse...

Parabéns Ana, pela excelente matéria e principalmente pelo resgate da história de uma das escolas mais amadas de Caicó, "a minha escola, o CEJA", nela estive toda a minha vida estudantil, desde a Educação Infantil até o 3º ano do Ensino Médio, saindo de lá para a UFRN, tive excelentes professores e uma formação educacional completa!

Flávia Nóbrega