terça-feira, 7 de agosto de 2012

Lua

A LUA
Autoria: Francisca Catarina (filha de Mariêta Úrsula)

Lua, “parceira minha”,
Gosto muito de você,
Nos dias que não aparece,
E que não posso lhe ver,
Sinto falta de seu brilho,
Que bom, existir você!

Quando eu morava na Mina,
Que falta você me fazia!
Quando não tinha você,
Pois lá não tinha energia,
À noite, era tudo escuro,
Só o lampião se via.

Ah, como eu torcia!
Para passar logo a noite,
E chegar o outro dia,
Pra brilhar os meus caminhos,
Pra eu visitar “Mainha”,
Que morava lá no Alto,
Minha querida vozinha.

Lua, você costumava,
Deixar meu caminho claro,
Pra ir à “Casa do Alto”,
Casa da avó Mainha.
Na casa da minha avó,
Eu gostava de ficar,
Ela era tão querida,
Fez parte da minha vida,
Eu aprendi a lhe amar.

Alí muita gente tinha,
Nos pátios para brincar.
De bola, roda e peteca,
E também para jogar,
Pife, truco e sueca,
Todos queriam ganhar,
Essas são boas lembranças,
Que eu gosto de recordar.

No velho carro de boi,
Era a melhor brincadeira,
Nas noites de lua clara,
Que grande pátio ali tinha,
Brincávamos, não nos cansava,
Lá na casa de “Mainha”.
Bons tempos que eu vivi,
E que na memória está,
A mina do Quixeré,
“A minha casa,  meu lar”.

Que saudade da infância,
Inocente que vivi,
Na Mina do Quixeré,
Onde nasci e cresci,
De lá eu tenho lembranças,
Muitos de lá já perdi.

Muitos que eram achegados,
E por mim muito amados,
Os quais eu cito a seguir:
Meus pais, meus tios e avós,
Irmãos, sobrinhos e amigos,
Mas  não me sinto tão só,
Pois Deus ainda está comigo.

Citando algumas  perdas,
Que tive até aqui: 
Sobrinhos: Jailson e Solange,
Irmãos Gracinha e  Darci,
Meu irmão que eu tanto amava,
Que grande perda eu senti!

Perdi  o tio José, 
Chicó, tio Chagas,  tia Lu,
Tia Quiu e tia Rita,
Tia Verônica e Dudu,
Ainda bem que eu tenho,
Parentes de Norte a Sul.

Como se já não bastasse,
Os queridos que perdi,
Tão importantes  pra mim,
Hoje me chega a  notícia,
Perdí  também  tio Joaquim,
Tio que eu amava tanto,
Que tão bem o conheci.

Homem culto, inteligente,
De excelente oratória,
Homem  público,  articulado,
Seu nome ficou na história,
Descance em paz, tio querido,
Estás na minha memória.

3 comentários:

Anônimo disse...

Quando leio esta poesia me vejo no Quixeré, recordo de minha infância, minha família, amigos...esses sentimentos são realmente muito significativos para mim...

ANNA JAILMA - annajailma@yahoo.com.br disse...

Obrigada pelo comentário. Pela mensagem, imagino que seja de nossa família. Pena que esqueceu de digitar seu nome. Abraço.

Anônimo disse...

A figura correspondente à poesia está bem apropriada, de acordo com o texto, muito bonito por sinal, que recorda bons tempos quando as pessoas tiravam tempo pra apreciar e valorizar as belezas da criação como também juntar-se a família para recreaçã sadia, com interação...parabéns à poeta