terça-feira, 28 de agosto de 2012

Psicóloga analisa atendimentos médicos e diz que alguns médicos são ‘mimados e idolatrados’


Psicóloga Ana Rosa defendeu tese na USP
sobre humanização na Medicina

Maimônides, médico da Idade Média, dizia que “um médico deve fazer uma consulta de uma hora, em que durante 10 minutos deve auscultar os órgãos do paciente e durante 50 minutos restantes, sondar-lhe a alma”. Atualmente, numa época em que o exercício da medicina prioriza cada vez mais a técnica, a máxima parece ter sido deixada de lado.
A psicóloga Ana Rosa Sancovski defendeu uma tese de doutorado, na Faculdade de Medicina da USP, sobre o tema. Ela afirma que “os tratamentos, muitas vezes, são hiperespecializados, impessoais e até mesmo mercantilistas, levando o médico a ver o paciente apenas como um objeto de estudo e não como sujeito”. Em “Efeitos da Visita Médica nos Pacientes da Enfermaria da Clínica Geral do Hospital das Clínicas”, a psicóloga Ana Rosa constata que uma boa conversa com o médico, altera positivamente o quadro de um paciente, reduzindo o estado de ansiedade e depressão. Ela ainda acrescenta que “ao ser atendido como doente e não como doença, o paciente irá se sentir acolhido, as orientações e medicações serão mais bem aproveitadas e o tratamento mais eficaz”.
Sem receio de parecer radical, a psicóloga Ana Rosa faz uma afirmação, no mínimo, polêmica. Ela diz que “alguns médicos são mimados e idolatrados. Preocupados apenas consigo mesmos, esquecem de dar ouvidos a quem deveria ser o seu principal foco: os pacientes. Uma boa conversa entre médico e paciente, pode valer mais que mil comprimidos”, afirma.
A psicóloga defende a melhoria das relações entre os profissionais de Saúde, assim como, entre médicos, pacientes e familiares. Trata-se da “humanização da medicina”.

Anna Jailma - jornalista e blogueira
Fonte: Revista Emoção e Inteligência Edição 12

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