domingo, 1 de março de 2015

Povo Abraça Causa do Movimento Artistas na Gestão Cultural









O resultado das últimas eleições no Rio Grande do Norte, na escolha para governador do Estado, surpreendeu de forma significativa. E não se pode negar que o candidato, hoje governador Robinson Faria, venceu principalmente pela insatisfação do povo potiguar com o chamado “acordão” que tinha Henrique Eduardo como candidato ao governo.

O discurso de Robinson Faria, fazendo crer numa gestão participativa, levou o povo a acreditar que de um lado estava uma proposta de governo formada pelo “acordão”, propondo uma junção de todos os governos anteriores, e na disputa com aquele grupo, estaria um candidato rompido com o “Governo da Rosa”, sem o apoio dos grupos tradicionais de Alves e Maia, e com a proposta de uma gestão participativa. 
O povo apostou na gestão participativa e deu uma resposta que ficou na história da política do Rio Grande do Norte: “o eleitor não quer cabresto. O eleitor não espera alguém ditar em quem ele vota. O eleitor analisa, escolhe e decide”.

Agora no início do Governo, Caicó e região Seridó, teve a expectativa de que o nome do artista Alexandre Muniz, que foi apontado por artistas de Caicó, seria o escolhido para permanecer à frente do Centro Cultural Adjuto Dias. 
Foi um nome escolhido por artistas, saiu do povo. Trata-se de um arte-educador, ator, pedagogo,  que desenvolve diversos trabalhos em Caicó e região, inclusive teve projetos aprovados em edital do SESC RN, viabilizando 60 mil reais para investimento de espetáculos em Caicó. É o presidente da Associação União do Sobrado – Ponto de Cultura – associação esta que faz acontecer arte e cultura em Caicó, o ano inteiro, com Oficina de Cordel, Coral Meninas do Encanto, Coral Canto Caá,  e grupos de teatro, além de promoverem apresentações de mamulengos, fantoches e artistas da terra com música regional e de raiz.

Então, o nome de Alexandre Muniz, na direção do Centro Cultural Adjuto Dias, foi interpretada pelo povo como a confirmação de que no atual Governo do Rio Grande do Norte, haveria de fato, uma gestão participativa. 
Não é um nome desconhecido. Alexandre Muniz tem o reconhecimento não somente da classe artística mas da sociedade civil organizada e das comunidades mais carentes, onde ele inclusive mantém grupos de teatro voluntariamente, com crianças e adolescentes em situação de risco. É um nome que sai do povo, indicado pelo povo, para servir ao povo, visto que um trabalho amplo e bem desenvolvido em arte e cultura, reflete no âmbito social, de forma positiva. 
Porém, na sexta-feira 13, de fevereiro, uma nota em blog de Caicó, anunciou que, ao contrário do esperado, o comando do Centro Cultural iria continuar na mesma coordenação.

E assim, como naquele momento político, em que o povo foi as ruas contra o “acordão”, agora o povo de Caicó – e do Seridó – vai as ruas contra o “acordinho”  de um vereador da cidade e uns poucos aliados, que solicitaram ao Governo do Estado a permanência da atual coordenação naquele teatro. 
Mobilizações acontecem desde o carnaval. Representantes da sociedade civil organizada – mais de 20 instituições – estão integrados ao Movimento Artistas na Gestão Cultural; artistas de outras cidades do Seridó já se integraram, e estão vindo a Caicó participar das mobilizações. As pessoas lotam as redes sociais de comentários e ‘selfies’, usando cartazes a favor do Movimento. Na semana passada, uma caminhada pelas ruas de Caicó levou uma multidão com cartazes e faixas, culminando num abraço coletivo envolvendo o Centro Cultural Adjuto Dias.

A cada dia o Movimento Artistas na Gestão Cultural cresce e envolve mais gente, mais instituições. Qual será a posição do Governo diante disso? Não se pode esconder que a decisão do governador, pode refletir nas próximas escolhas deste povo...o povo que foi contra o “acordão” e é contra o “acordinho”, o povo que escolheu de forma independente nas últimas eleições, o povo que apostou – e agora cobra – uma gestão participativa no Governo do Estado. E a morosidade para uma resposta por parte do Governo do Estado, é no mínimo, desgastante, para quem permanece sob o olhar observador do povo.  

Anna Jailma - jornalista e blogueira
Fotos - Fan Page do Movimento Artistas na Gestão Cultural

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